A sensação do filme passando muito mais depressa!

As observações clínicas têm mostrado que em alguns indivíduos o processo de aterosclerose, isto é, a deposição de gordura nas artérias, acontece muito mais rápido e cada vez mais nos jovens. A sensação é de que o referido processo fica acelerado pelo estresse e por causas que estão sendo descobertas.

Nós já conhecemos alguns vilões que apressam a aterosclerose sendo o mais conhecido o colesterol, a diabetes, a obesidade e pressão alta. Mas a recente descoberta de que as inflamações, em qualquer lugar do corpo, por vezes assintomáticas, podem ser tão agressivas como o colesterol alto, alertou o mundo científico.

As inflamações lançam na circulação substâncias capazes de romper as placas de gorduras que estão nas paredes das artérias, tornando-as instáveis. Nas situações em que as inflamações atingem as placas e elas rompem, são liberadas substâncias que reduzem o calibre dos vasos, concentrando e agregando as plaquetas e formando um trombo, isto é, um coágulo que entope a artéria.

Em alguns indivíduos que não possuíam colesterol alto e foram vítimas de infarto do miocárdio fatal foram observadas inflamações nas artérias.

Os fumantes podem manter processos inflamatórios que também aceleram os processos cardíacos. Existe um exame de sangue capaz de medir a concentração da chamada proteína C-reativa, que quando alta no sangue indica a existência de inflamações. O tratamento é o mesmo que já se faz para os pacientes com colesterol alto, com as Estatinas, drogas que diminuem o colesterol do sangue, ajudam a combater os efeitos inflamatórios nas artérias, reduzindo a proteína C-reativa e mantendo as placas de gordura estáveis.

Não se esqueçam que o “estresse” é o gatilho!

Carlos Alberto Pastore

Carlos Alberto Pastore

Livre docente do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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