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Os stents farmacológicos não são seguros?

Os “stents” são como pequenas molas de metal que são colocadas dentro das artérias coronárias, depois que elas são desobstruídas por um balão, para não deixar que elas voltem a entupir e impeçam a passagem do sangue. Estas próteses podem ser revestidas de substâncias que ajudam a manter a artéria coronária aberta (“stents” revestidos ou farmacológicos) ou sem drogas, com apenas a estrutura de metal já conhecida. O “stent” revestido custa mais caro e assim a sua indicação requer cuidados, pois deve ser usado em casos especiais.

Um trabalho recente mostrou que a longo prazo os dois tipos de “stent” podem provocar um entupimento por coágulo (trombose), sem diferença de tempo entre os dois, isto é, o revestido não teria benefício neste aspecto. O ponto é que os revestidos têm outros benefícios, e não podem ser condenados só por uma razão.

Na opinião dos especialistas, a ocorrência de trombose tardia com a geração atual dos “stents” farmacológicos é uma realidade, embora seja de incidência muito baixa (0,5% ao ano). Não obstante, o risco de trombose faz com que a terapia necessária para evitá-la seja dupla, com aspirina e clopidogrel, e deva ser prolongada significativamente, acarretando riscos para os pacientes (1% de risco de sangramento ao ano), além dos custos significativos tanto para os pacientes como para sistema de saúde pública. Por outro lado, os dados dos últimos estudos demonstram que os “stents”  farmacológicos diminuem significativamente as novas revascularizações (pontes de safena) sem um aumento significativo na mortalidade.

Os “stents” farmacológicos estão sendo julgados precocemente e não se pode esquecer de suas qualidades.